Travessia aos Picos da Europa

Venho-vos assim a contar a Travessia e a viagem mais expetacular e bela que algum dia fiz… o “culpado” desta grande aventura foi o Sr. Sérgio Valadares mais conhecido por Tartaruga que programou e defeniu as 3 etapas a realizar em 3dias, 200Kms e mais de 6000 mtrs de acumulado. Não existem palavras para mostrar a imensidão de tais paisagens e a sensação de pequenez que nos faz arrepiar dos pés à cabeça.

A meu cargo estava a manutentção e lubrificação das máquinas, assim como o transporte de material subselente pneu e tambem as sandes do pessoal que não tinha espaço nas suas mochilas. Se esta aventura já se tonrava muito dura por natureza eu meti na cabeça que iria faze-la sem a “avósinha” a 1ª mudança do prato pedaleiro e digamos que foi MUITO DURO! ehehe

No 1º dia Sexta-feira dia 29 de Maio, subimos de teleférico de Fuente Dé arriba, apenas um maluco de nome Zé Carlos se recusou-se a subir de teleférico pois tiunha medo que aquilo cai-se, depois tivemos uma descida com direito a neve e com paisagens lindas, mas o exlibris do dia estava para chegar a Ruta del Caires(sem palavras), expetacular mas tambem a mais perigosa que já fiz na vida, um pequeno descuido e nem o para quedas nos valia!!!  No final da Ruta tivemos direito a um banhito de água quente no rio, tava mesmo quentinha!!! Para acabarmos o dia tivemos que fazer ainda bastantes kms a subir. Um dia muito desgastante para todos sem excepção pois foram muitas horas no selim.

No 2º Dia Sábado, foi marcado pela estupidez das descidas e subidas que faziamos, percentagens de inclinação superiores a 26%!!! Foi de certo o dia mais duro. Neste dia tive tambem que fazer o regate ao telemovel do Bruno que tinha ficado a descansar na relva desde o dia anterior e estava 200 mtrs a cima de onde passavamos. Depois fizemos a coisa mais estupida que algum dia pensei que pudesse existir, 2Kms com 500 de acumulado e com percentagem de inclinação média de 18% e máxima de 26%!!!!! Na chegada já 80 Kms nas pernas e perto de 3000 de acumulado decidi fazer mais 30 min de subida que deram mais 500 mtrs de acumulado, treino cumprido 😉

No 3º dia Domingo, foi o dia mais curto, mas com uma subida bastante dura e passagem numa calçada intransponivel de bike onde a unica solução era a bike as costas, coisa que o amigo Castela não apreciava nada lol. Chegamos finalmente aos belos lagos de Covadonga e respectivo santuário.

Para trás fica muita vontade de voltar pois realmente vale mesmo a pena passar uns dias por aquelas bandas.

Visitem tambem o Blog do Marco que contem mais fotos.  http://marcopcmm.wordpress.com/2009/06/02/picos-da-europa-arrepiante/

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Diário de Bordo – Taça do Mundo XCO Madrid

21/05/2009 – Quinta-Feira  – 22 Horas – Partida para Madrid

E lá vamos nós em direcção à “terra prometida”, Madrid, mais propriamente Casa de Campo, onde está a mítica pista de XCO. Mítica pois todos os anos via os resumos e os vídeos e fotos e pela 1ª vez na vida vou ter o prazer de a ver e estar presente para corre ao lado de todos os grande atletas do mundo do XCO. Algo que nunca nos meus melhores sonhos poderia ter imaginado que pudesse acontecer.

 

21/05/2009 – Sexta-Feira – 02 Horas – Chegada a Madrid

Depois de uma viagem algo cansativa de 4H e 30m chegamos por fim a Madrid e é hora de descansar para de manha levantar o dorsal e reconhecer o percurso.

 

22/05/2009 – Sexta-Feira – 08 Horas – Contacto com um mundo novo

Quando acordei já com muito barulho à minha volta deparei-me com um ambiente completamente novo, um padock enorme com camiões, caravanas e tendas. Sentia-me um pouco perdido e sem saber que fazer uma vez que reconhecer o percurso ainda não podia pois não tinha dorsal. Sem saber muito bem o que fazer lá fui eu ao secretariado um pouco perdido a fim de fazer o levantamento do meu dorsal, já parecia um gajo importante a arranhar no Inglês para perceber o que os comissários d UCI pretendiam …lolol

 

22/05/2009 – Sexta-Feira – 11 Horas – Reconhecimento do percurso

Arranquei para o reconhecimento com a selecção e o resto dos tugas e logo a nossa frente seguia Julien Absalom e lá foi ele… lolol

Ao contrario das impressões que me tinham passado a pista não era tão rolada quanto se dizia, a pista têm 3 valentes picadas e mais umas quantas subidas mais acessíveis. Em termos técnicos nada de especial, a dificuldade encontra-se no terreno extra seco e muito falso e nalgumas zonas de travagem com o típico ondular que com forqueta fazia mossa para alem de perder bastante aderência. A “bajada de la muerte” é mesmo uma autentica loucura, um inclinação brutal onde com a velocidade a forqueta não transmite segurança nenhuma.

Decidi então que para a prova seria melhor correr com suspensão para não correr riscos desnecessários. Depois da troca lá fui para a 2ª volta e a sensação já foi completamente diferente com suspensão. Aproveitei a “boleia” e segui na roda de outro atleta que estava a reconhecer com o mesmo ritmo que eu e assim aproveitei para aprender novas trajectórias que se tornaram bastante melhores que as que eu tinha feito na volta anterior.

 

23/05/2009 – Sábado – 11 Horas – Acordar tardio :S

Depois de no dia anterior ter aproveitado a tarde para fazer um grande passeio por Madrid, na manhã de sábado foi complicado levantar-me cedo e assim não consegui fazer o reconhecimento de manhã quando devia.

 

23/05/2009 – Sábado – 14 Horas – Corrida de Juniores

Foi uma das corridas mais espectaculares e surpreendentes que assisti, com o David a fazer uma corrida empolgante e vibrante com todos os Tugas a correrem de um lado para o outro para apoiarem os atletas Portugueses, David R., Mário Costa, Ricardo Marinheiro  e Rodrigo. O Francês assumiu bem cedo a frente da corrida enquanto o David teve problemas na partida e a ser literalmente engolido pelo pelotão e sendo por isso obrigado a fazer uma recuperação, onde a meio da 1 volta já seguia no grupo perseguidor que incluía o Mário e o Suíço que ganhara a 1ª Prova da Taça do Mundo. Com ataques consecutivos entre o David e o Suíço conseguiram chegar ao Francês na 2ª volta ficando o Suíço para trás. Passando a liderar a corrida o Francês e o David, onde na 2ª parte da 3ª volta se junta o Suíço e assim construindo um trio na frente da corrida. Logo atrás seguia o grupo perseguidor onde estavam inseridos o Mário Costa, Ricardo Marinheiro e outro atleta de outra “esquadra” vindo mais tarde a juntar-se mais outro atleta. Na última volta o ritmo voltou a aumentar na frente da corrida ora imposto pelo Francês ora imposto pelo David e assim o Suíço ficou para trás. A emoção estava ao rubro o David entrou na ultima subida a sprintar com Francês com este inicialmente a levar a melhor mas o David consegue no ultimo momento posicionar-se na frente dele entrando na descida em 1ª e acabando com um bonito Sprint final para a vitória onde todos os Tugas presentes vibraram e logo de seguida acaba o Mário com um excelente 4º lugar e pouco mais a trás o Ricardo Marinheiro no 7º posto. Na entrega de prémios foi mais outro momento alto onde não existia Hino Nacional mas os Tugas presentes encarregaram-se de o cantar orgulhosamente.

 

24/05/2009 – Domingo – 12:30 – Hora da Verdade

Tinha chegado finalmente o dia da Grande prova. O aquecimento foi feito na tenda da Selecção Portuguesa de Ciclismo com todos os Tugas que iriam correr presentes. No momento antes da chamada era estranho estar ali, ver Burry Standar, Sausser, Absalon, Hermida, Bart Brejens, Florian Vogel entre tantos e tantos outros atletas conhecidos a aquecer e velos a cruzarem-se comigo.

A chamada foi normal estava posicionado na antepenúltima linha, mas aos 3 min, todo o pelotão se compactou e eu não estava sequer a perceber que raio se estava a passar, ficando para os últimos lugares.

O arranque foi infernal, e logo na 1ª volta perderam-se minutos importantes, com paragens significativas nos single tracks. Na 1ª volta e meia não me estava a sentir nada bem, e senti necessidade de quebrar para recuperar um pouco rolando na roda de outros atletas. Na 3ª volta senti-me bastante melhor e a partir dai foi sempre a fundo a tentar recuperar os minutos preciosos que tinha perdido, infelizmente por +/- 2 minutos não consegui passar para a última volta e deitou por terra o objectivo principal.

Posso dizer que o ambiente em prova é do outro mundo, os Espanhóis sabem como motivar e dar ânimo ao pessoal. As 2 subidas mais duras eram as que menos me custavam a fazer tal era a motivação que o publico nos trespassava obrigando-nos por isso a darmos tudo o que tínhamos, uma sensação ÚNICA.